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Sabado, 18 de Abril de 2026

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Boiadas: A Força Histórica que Moldou Feira de Santana

Descubra como o Comércio de Gado Impulsionou o Surgimento e a Expansão da Cidade, Transformando-a na 'Capital das Boiadas'

Boiadas: A Força Histórica que Moldou Feira de Santana
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Boiadas: A Força Histórica que Moldou Feira de Santana

Descubra como o Comércio de Gado Impulsionou o Surgimento e a Expansão da Cidade, Transformando-a na 'Capital das Boiadas'

 Foto: Divulgação - Arquivo ZMP

Pode-se afirmar, com base em registros históricos, que a chegada de imensas boiadas foi um fator decisivo para o surgimento e a expansão de Feira de Santana. Esse movimento gerou um forte negócio específico, culminando na instalação do campo do gado e sua posterior mutação para diversos pontos da cidade, que chegou a ser conhecida como ‘cidade das boiadas’.

Enormes boiadas atravessavam o território baiano, vindas principalmente do Piauí, Goiás e Minas Gerais, com destino à Bahia, mais especificamente a cidade de Salvador. Para alcançar esse destino, o caminho obrigatório incluía a cidade de Cachoeira, onde o gado era embarcado em navios. Eram semanas de viagens por caminhos inóspitos, que eram abertos e alargados pela passagem dos próprios animais, funcionando como verdadeiros “tratores” naturais.

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Para chegar ao porto da importante cidade de Cachoeira, os destemidos boiadeiros foram descobrindo o local ideal para a necessária parada após semanas de jornada. Um ponto estratégico para a recuperação do peso dos animais e o descanso da equipe, igualmente desgastada pela longa viagem, que exigia evitar a dispersão dos animais, a travessia de rios e ocorrências como picadas de cobras venenosas.

Nesses percursos, a região de Feira de Santana, que ainda não possuía esse nome, foi descoberta devido à sua topografia favorável, à existência de bons pastos e à abundância de água, graças às dezenas de lagoas. A formação do povoado, por volta de 1800 e oficialmente em 1819, foi resultado dessas paradas dos boiadeiros com manadas destinadas a Salvador, buscando descanso antes da jornada final até Cachoeira. Assim, o povoado foi elevado à vila em 1830, e com essa importância, o crescimento do comércio tornou-se ainda maior.

Com a constante chegada de boiadas, alguns criadores da região começaram a realizar negócios, o que também interessou aos donos de animais, pois vender o gado localmente tornava-se menos dispendioso do que levá-lo até Cachoeira. O primeiro campo do gado surgiu nas imediações do atual Feiraguai. O acelerado crescimento das transações entre criadores locais e produtores de municípios distantes, inclusive de outros estados, levou o campo do gado para a Gameleira, ou Praça do Nordestino (onde hoje é a Praça Dom Pedro II, visitada pelo Imperador, e onde teria ocorrido o enforcamento de Lucas da Feira).

Mas a expansão dos negócios com bovinos continuou intensa, levando o prefeito Heráclito Dias de Carvalho (1938/1943) a implantar os ‘currais modelos’, área hoje ocupada pelo Colégio Municipal Joselito Falcão de Amorim, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira e adjacências. Nesse novo espaço, o movimento ganhou projeção nacional. Chegaram a ser vendidos mais de mil bovinos em um só dia, tornando a ‘feira do gado’ uma grande atração que trazia a Feira de Santana pecuaristas de várias partes do país, turistas, jornalistas brasileiros e estrangeiros, e cineastas. O comércio de gado tornou-se referência, figurando Feira de Santana como uma das bases na cotação nacional da arroba de boi.

Na década de 1960, pela quarta vez, a ‘feira de gado’ mudou de local, impulsionada pelo crescimento urbano. O prefeito Arnold Ferreira da Silva (1959/1962) transferiu o campo do gado para um local mais distante, na parte leste da cidade, que passou a ser conhecido como Campo do Gado Novo. Nesse local, o movimento continuou muito grande, associando-se ao comércio convencional, com enorme quantidade de barracas e bancas para a venda de ferramentas, arames, calçados, confecções, doces, medicamentos, produtos da terra, redes e outros itens normalmente vendidos em lojas fixas.

No seu segundo governo, o prefeito José Falcão da Silva (1983/1988) construiu o Complexo Matadouro Campo do Gado, no distante bairro Pampalona, onde permanece até hoje, mas sem o brilho experimentado nos locais anteriores. Isso é natural devido às transformações no modal de venda de gado ao longo dos anos, restando a memória do que foi a maior feira de gado da Bahia e uma das maiores do país, responsável diretamente, ao lado da feira-livre, pelo desenvolvimento e projeção de Feira de Santana nacionalmente, entre as 30 mais importantes cidades do país.

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FONTE/CRÉDITOS: ASCOM/PMFS
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