Crise do IOF explode e Haddad se afasta: ministro tira férias em semana decisiva para o ajuste fiscal
Com pressão crescente no Congresso e votação urgente contra o decreto do IOF, Haddad antecipa descanso; Dario Durigan assume interinamente
No auge da crise envolvendo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entrou de férias nesta segunda-feira (16), em um momento considerado decisivo para o governo na articulação do ajuste fiscal. A folga, inicialmente prevista para julho, foi antecipada para esta semana — de 16 a 22 de junho — conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) e assinado pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin.
Durante a ausência de Haddad, o comando da pasta ficará sob responsabilidade do secretário-executivo Dario Durigan, que já terá um desafio imediato: acompanhar a votação do regime de urgência do projeto que tenta barrar o decreto do governo sobre o IOF.
Pressão no Congresso e risco de derrota
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu na pauta desta segunda-feira a votação da urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que visa anular os efeitos do decreto de aumento do IOF, editado recentemente pelo presidente Lula (PT).
Segundo Motta, há uma resistência generalizada ao reajuste dentro da Casa:
“O clima na Câmara não é favorável ao aumento de impostos com objetivo arrecadatório”, afirmou em suas redes sociais.
O governo havia anunciado o aumento do IOF no fim de maio, como parte de uma estratégia para elevar a arrecadação em R$ 20 bilhões e tentar cumprir a meta fiscal de 2024. No entanto, a repercussão negativa no mercado e no Congresso levou o Planalto a recuar parcialmente, prometendo enviar uma medida provisória com alternativas de compensação.
Aliados descontentes e oposição organizada
O desgaste é tão grande que partidos da base já cogitam se unir à oposição para derrubar o decreto, em uma votação que pode expor fragilidades na articulação política do governo. A tensão chegou a tal ponto que o presidente Lula convocou, no sábado (14), uma reunião emergencial com ministros palacianos e Hugo Motta, em tentativa de conter o desgaste.
Enquanto isso, a ausência de Haddad em meio ao turbilhão político levanta questionamentos sobre o momento escolhido para a folga. A expectativa agora recai sobre os próximos movimentos de Durigan e o resultado da votação no Congresso.
Portal Jorge Teles WEB
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